quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Uma vida mais livre para as mulheres!






Outro dia liguei a TV e comecei a assistir o programa Super Pop, apresentado pela ex-modelo Luciana Gimenez. Em um dos blocos o quadro exibido era um tipo de esquadrão da moda no qual familiares e amigos mandavam e-mails ao programa condenando a forma como determinada mulher se vestia.

Em seguida dois estilistas de moda abordaram a mulher em sua casa e começavam a vasculhar o guarda-roupas da mesma a fim de repagina-la deixando-a mais bonita e sensual no seu dia a dia para seu marido e também para ela mesma. Esse é um argumento muito utilizado entre e com as mulheres, pois na sociedade em que vivemos as mulheres tem, obrigatoriamente, de assumir o papel de super-mulher; além de terem uma vida profissional bem sucedida precisam manter a tarefa de cuidar do trabalho doméstico e da educação dos filhos, tendo sempre de estarem vestidas de acordo com a moda, cheirosas e maquiadas, usando o absorvente que não marca a roupa, passando o creme que, supostamente, elimina as rugas e etc.

A idéia de uma beleza impossível que só pode ser alcançada adquirindo os milhares de produtos cosméticos ou cirurgias plásticas que, cada vez mais, alimenta um sistema que coloca o corpo e a vida das mulheres como produto de mercado, escravizando todos os dias milhares de mulheres impondo padrões estéticos que, em muitos casos, provocam distúrbios alimentares ou, por exemplo, o uso excessivo dessas parafernálias que são inventadas para tornarem as mulheres dependentes desse tipo de consumismo.

Esse quadro me chocou muito, pois a mulher era constantemente humilhada pelos apresentadores que geralmente tinham comportamentos muito agressivos e preconceituosos, a partir daí comecei a prestar atenção em quantos macetes são utilizados pela mídia, para reforçar a imagem da mulher como sendo por natureza, cheia de doçura e sensualidade com as obrigações relacionadas ao seu sexo feminino.

A apresentadora Luciana Gimenez citou que a mulher precisa se valorizar mais usando o sutiã que deixa os seios mais fartos, a maquiagem que rejuvenesce, a tinta de cabelo que ilumina, depois o estilista que dizia que a roupa da participante do quadro era horrível e grosseira, pois se parecia com as roupas usadas pela Joelma (vocalista e idealizadora da banda Calypso) e ela precisava ficar mais feminina e Slim. Ou o vocalista de uma banda que disse para o marido da participante: Agora vê se trata bem essa mulher, hein, rapaz?!! Ou seja, expressões que reforçam a mulher como ser inferior passível de qualquer situação como essas que citei acima, claramente expondo que dessa forma a mulher estaria do jeito que o marido quer e por isso, ela merecia ser tratada bem, reforçando o preconceito contra as diferentes maneiras de ser vestir, viver e se expressar. Legitimando todas as formas de submissão que a mulher é colocada, pois uma vez que ela não está bem vestida ou não está com o jantar pronto, merecem algum tipo de punição que pode ser comprado também com o fato de ela estar de minissaia possa legitimar qualquer tipo de violência verbal ou física que ela pode sofrer ao andar na rua, ou seja, as mulheres são aprisionadas por esses macetes e falsas idéias de liberdade que a mulher vem conquistando nos últimos anos.

Que liberdade é essa?

Fanzine feito no EME 2009 e tirado do blog Mulheres em Marcha.


Um comentário:

  1. Muito legal o post.Infelizmente esses programas pipocam pela tv aberta e a cabo.Nesse instante já consigo pensar em 5.O ruim também é que a idéia podia ser bem utilizada.Podiam ajudar mulheres fora do padrão a encontrar roupas para se vestirem do jeito que ELAS consideram elegante.Mas enfim...
    Só consigo me lembrar de um programa desses que era bom.O "Esquadrão da Moda" inglês.As apresentadoras respeitavam as participantes e realmente ajudavam.A maioria queria mesmo se vestir diferente mas se sentia insegura,porque a mídia bombardeava que se elas não tivessem vinte anos e vinte quilos só podiam usar roupa de velha.

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